O CASO 326

A UM PASSO DO ABISMO

“Essa é a última coisa que eu vou tentar.” Foi a frase que marcou o formulário de agendamento daquela jovem mulher de 32 anos, moradora de uma grande cidade de Santa Catarina.

Minha assessora automaticamente marcou “urgência”, buscando um encaixe para ela ainda na semana em que nos procurara.

O quadro, segundo suas próprias palavras, era de uma sensação de “vazio” interior que a fazia tentar preencher com cursos e mais cursos, atividades de todos os gêneros, pois acreditava que se ocupasse a mente, isso “passaria”. Ledo engano…

 

A SÍNDROME DA CASA VAZIA

Nossa solicitante era do tipo inteligente, educada e proativa. Havia terminado recentemente (o ano era 2017) sua pós-graduação em ciências contábeis. Estava tentando uma vaga em um grande banco do Sul. Falava 3 idiomas, e sabia de tudo um pouco. De física quântica à neurociência. Discípula de Hélio Couto, fez cursos de constelação familiar, PNL, Coaching…

Mas como uma casa de alto padrão, que é toda linda por fora, mas que carece da energia da vida de pessoas de bem que a habitem — S****** não tinha aquela paz interior que todos os vendedores de cursos garantem que seu “método” os fará alcançar. E já estava no limite, desacreditando de si mesma, sentindo-se vazia, como se tudo o que “soubesse” não preenchesse o que precisava nem lhe desse uma sensação real de propósito e paz.

Eu sempre atendo pessoas do gênero, que fizeram dezenas de cursos, mas que estão cheias de problemas. São como “casas vazias”. Em outro post, falarei sobre o que causa isso em termos sociológicos e culturais. Mas em termos individuais, cada caso é um caso.

Nota técnica
Há um senso comum, não de todo errado, que pessoas que estão com transtornos psíquicos se “curam” com atividades diversas, principalmente físicas, pois há a liberação de endorfina, dopamina, serotonina e outros hormônios, cujo equilíbrio realmente é fundamental para a saúde psíquica. Porém, o que muitos ignoram ou desconhecem é que existem fatores intrínsecos, geralmente emocionais e complexos, que atuam de modo definitivo não só na tomada de decisão do indivíduo, quanto no processo de recuperação em si.

 

A REDESCOBERTA

No dia e hora agendados para o início do processo conscienciológico clínico, após a anamnese que avaliou todo o histórico e descartou possibilidades de déficits ou transtornos de ordem biológica, S****** teve um dos maiores choques de sua vida. Logo na primeira hora de seu atendimento, entendeu que 90% do que ela havia aprendido sobre sua própria psique, sobre “arquétipos”, sobre “o subconsciente”, sobre “ressonância harmônica”, precisaria ser abandonado, e de uma vez por todas.

Em meu método de análise do inconsciente, não há inferência. Não há sugestionamento. Só há a pura e crua confrontação do sujeito com seu próprio inconsciente. Com suas sombras, seus medos, seus bloqueios — e somente através disso, ele consegue realmente saber QUEM ele é.

E esse foi o primeiro “choque” de S******. Ela descobriu, naquele dia, naqueles primeiros 120 minutos, que ela estava representando uma pessoa, uma personagem. Uma personagem que falava muito bem para os outros, mas que evitava dialogar consigo mesma. Uma personagem que lia livros e livros sobre “manifestação”, “lei da atração”, “colapsar a onda”, mas que escondia em seu mais íntimo ser dores, mágoas, dúvidas — e que agora, a única coisa que precisava realmente fazer era atrair a si mesma para a luz, ou colapsar-se na própria escuridão.

S****** admitiu ali que havia planejado tirar a própria vida, e o faria de um jeito que ninguém desconfiasse: iria forjar um acidente com seu carro ainda naquela semana. Redescobrir-se foi mais do que necessário naquele atendimento urgente: foi o que salvou sua vida e nos deu mais tempo para o que faríamos a seguir.

 

NEM TODA DOR, DÓI

Em seu segundo atendimento, S****** já apresentava uma outra psicosfera. Seu olhar, suas expressões faciais e suas próprias palavras que ficaram registradas no arquivo da sessão gravada traduziam uma ruptura que foi não apenas necessária, mas fundamental — a ruptura com a máscara do self, personificada em um Eu com o qual ela não se identificava mais.

O paradoxal é que ela chorou de uma dor estranha. Uma dor que não doía, mas que a curava. A dor de abandonar antigas crenças, antigos paradigmas, dogmas e mesmo visões de mundo, maneiras de pensar e de agir que só a tinham levado para o mesmo lugar: o nada.

E esta era a causa evidente de seu vazio interior. Vazio que ela tentara por anos preencher com viagens, cursos, relacionamentos… mas que escondiam um elemento fundamental em seu inconsciente — o conjunto de conceitos que ela possuía de si mesma, formados em camadas ao longo de toda a sua vida, e que agora precisavam ser confrontados com precisão clínica.

O choro de S****** em seu segundo atendimento era um choro de libertação e de reencontro consigo mesma. Em suas próprias palavras: “Há muito tempo eu não me sentia tão Eu”.

Nota técnica
Em conscienciologia clínica, chamamos de “concepção endotópica” o conjunto de conceitos que um indivíduo possui de si mesmo. Estes conceitos são multifacetados em camadas que se formam mesmo antes do nascimento, mas que se estabelecem no transcorrer das experiências. O que trabalhamos, no entanto, é muito mais profundo, pois tais conceitos expressam-se em dinâmicas que precisam de critérios clínicos precisos devido aos fatores de distorção da própria percepção de si e da maneira como o indivíduo expressa essas percepções. Em psicologia, Joseph Luft e Harrington Ingham contribuíram excepcionalmente com a técnica da Janela de Johari, porém no processo conscienciológico clínico — que visa tornar o indivíduo consciente de seus outros “eus” — a condução precisa ser cirúrgica. Não se aceita catarse nem ab-reação.
 

DE DENTRO PARA FORA

Foram 6 meses de sessões e acompanhamento clínico. S******, através da conscientização de seus mecanismos inconscientes, fez algo que pouquíssimas pessoas teriam a coragem de fazer: reconstruir a si mesma. Não meramente “mudar padrões de crença”, nem “ter um novo mindset”. Ela começou uma jornada que foi da confrontação total com tudo aquilo que ela acreditava ser verdade — inclusive sobre si mesma — e caminhou de volta para si mesma através de um caminho que estava quase totalmente invadido pelas ervas daninhas das conjecturas internas e mesmo sociais. Enfrentou momentos de dúvida sobre o futuro, mas eu estava lá para garantir que ela conseguiria, pois outros tantos já haviam conseguido, e ela já tinha dado o primeiro passo.

Quando precisamos reestruturar o conceito que temos de nós mesmos, podemos ficar perdidos, pois somos condicionados desde crianças a depender de informações externas para consolidar nossa autoimagem. Desde o olhar de aprovação ou reprovação dos pais, até comparações que fazemos entre nós e pessoas que, segundo o que supomos, são exemplos de sucesso e felicidade.

Ao fazermos isso, perdemos nossa habilidade e potencial mais importante de todos: o de sermos genuínos, autênticos, de criarmos nossa própria estrutura de pensamento, de comportamento e ação. De não sermos sugestionados ou suscetíveis a pessoas, eventos e opiniões externas.

S****** não precisou se reconstruir. Ela já existia, só nunca havia ouvido a si mesma. Ela não precisou ressignificar nada — como os coaches vendem —, apenas admitir suas sombras e, a partir disso, deixar o espelho refletir sua verdadeira essência.

Como seu processo foi muito longo, não poderia colocar aqui tudo o que foi feito. Mas quero deixar a essência. S****** foi de desde aprender a dizer não quando queria dizer não, até desvincular-se de laços familiares que a estavam destruindo por exigirem dela o que ela não era — mas que, segundo teorias distorcidas da terapia sistêmica como “constelações familiares”, ela precisava “honrar”.

Os fatos falaram por si. Ela abandonou a ideia de seu antigo “eu” de trabalhar em bancos e abriu seu próprio escritório em uma pequena sala. Hoje, tem uma empresa de contabilidade que ocupa um andar inteiro em um dos melhores prédios do litoral, casou-se com um excelente empresário do ramo de automóveis e possui uma família linda. Sua empresa possui suas iniciais para lembrá-la do mais importante que seu processo conscienciológico clínico lhe trouxe: a imensurável força de ser ela mesma.

Para aprofundamento científico:

O conceito de “falso self” descrito neste caso — a personagem que S****** representava para o mundo enquanto se esvaziava por dentro — foi formulado originalmente pelo psicanalista britânico D. W. Winnicott. Segundo ele, indivíduos que desenvolvem um falso self dominante podem viver vidas aparentemente bem-sucedidas, mas experimentam uma sensação profunda de irrealidade e futilidade. Somente o verdadeiro self é capaz de se sentir real e de ser criativo.

Winnicott, D. W. (1960). Ego Distortion in Terms of True and False Self. In: The Maturational Process and the Facilitating Environment (pp. 140–152). London: Hogarth Press.

S****** não apresentava um quadro depressivo clássico. O que a levou à beira do abismo foi algo que pesquisas recentes confirmam ser um preditor de risco suicida ainda mais forte do que a própria depressão: a disfunção no funcionamento do self — especificamente, um senso de identidade incoerente. Este estudo demonstra que a fragmentação da autoimagem e a incapacidade de manter uma narrativa coesa sobre si mesmo estão diretamente associadas à ideação suicida e a tentativas de suicídio em adultos jovens.

Kaufman, E. A. et al. (2024). Impairment in Personality Functioning Predicts Young Adult Suicidal Ideation and Suicide Attempt Above and Beyond Depressive Symptoms. Personality Disorders: Theory, Research, and Treatment. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11833547/

O vazio interior que S****** descrevia — e que tentou por anos preencher com cursos, viagens e relacionamentos — é um fenômeno clínico bem documentado. Este artigo diferencia o vazio existencial (filosófico) do vazio psicológico (clínico), demonstrando que este último está profundamente enraizado na vergonha internalizada e na autoalienação. O estudo associa diretamente esse vazio ao conceito de falso self de Winnicott e mostra como pessoas que aparentemente “têm tudo” podem ser as mais afetadas.

Lancer, D. (2019). Perspectives on Emptiness. Psychology and Behavioral Science International Journal, 12(4), 555844. DOI: 10.19080/PBSIJ.2019.12.555844

Apolo Augusto

Conscienciólogo clinico

INCONSCIENTE HUMANO

Para a psicologia e a psicanálise, o ser humano é um ser consciente que possui uma mente inconsciente. Para a conscienciologia clínica, o ser humano é um ser inconsciente que possui uma fraca e debilitada mente consciente. Esta é a premissa básica da conscienciologia clínica, e não é filosófica: é factual. Consideramos que o ser humano não tem consciência de si, de seus desejos, seus medos, seus bloqueios e tampouco de suas capacidades, habilidades e potencialidades.

O conscienciólogo clínico não é um “terapeuta” nem um “coach”. É um profundo investigador e persecutor da consciência. Seu objetivo é fazer com que o solicitante (nome que damos aos atendidos) se torne consciente de si mesmo.

Compreendemos que, apenas por meio da conscientização, o homem se torna realizado, pois deixa de agir de modo automático, instintivo, limitado e cíclico, repetindo padrões cuja origem ele desconhece.

A terapia convencional visa “restaurar” o indivíduo, fazendo-o voltar ao estado normal. O processo conscienciológico clínico, por outro lado, visa desconstruir o indivíduo e fazê-lo transcender sua versão anterior, instaurando em sua psique novos padrões, um novo comportamento, desbloqueando habilidades e potenciais, para que este alcance, de modo prático, a individuação.

PSICOSSOMÁTICA CLÍNICA

Através de minhas formações em ciências humanas, desenvolvi uma abordagem extremamente científica e “pura” da psicossomática, fiel ao trabalho de Groddeck, na qual se faz possível descobrir as possíveis causas inconscientes para questões de saúde mental e física.

Ressalto que é uma técnica própria, totalmente livre de vieses, contaminações semânticas e pseudociência, como as de muitos que se dizem “terapeutas das emoções”.

Meu trabalho visa fazer com que o indivíduo, através de um método investigativo matricial e em camadas, consiga compreender mecanismos inconscientes que estão se manifestando no corpo ou na mente, causando distúrbios, doenças, anomalias ou transtornos.

A principal diferença de meu trabalho no campo da psicossomática é a maneira como o indivíduo percebe tais mecanismos, sem qualquer tipo de inferência de minha parte, como ocorre em pseudoterapias ou abordagens de discípulos de Franz Alexander.

Partimos da premissa de que cada inconsciente é único, possui seus próprios símbolos, arquétipos, sistemas semióticos e estruturas. A causa da enxaqueca de Maria pode ser (e sempre é) diferente da causa da enxaqueca de Joana.

Minha função é aplicar conhecimento do inconsciente que adquiri ao longo de 20 anos para tornar o indivíduo consciente de seus mecanismos causadores de transtornos. Quando há esta conscientização e a reversão do padrão, então o problema se resolve.

DESENVOLVIMENTO PESSOAL

A maioria das pessoas desconhece suas próprias capacidades ou experimenta bloqueios que impedem a expressão de seu potencial real.

Esta limitação se manifesta concretamente: estagnação profissional, ganhos incompatíveis com suas habilidades e uma sensação persistente de que algo impede sua realização.

A única maneira factual de transcender esses limites é através de um processo investigativo que revele os mecanismos inconscientes que governam suas ações. Esses mecanismos contêm tanto recursos inexplorados quanto padrões limitantes que, uma vez conscientizados, podem ser ressignificados.

Quando você compreende como seu inconsciente opera, deixa de agir por automatismos e passa a exercer escolhas deliberadas. Suas decisões se tornam mais assertivas, sua comunicação mais efetiva, sua presença mais autêntica. Isso se reflete em resultados tangíveis: reconhecimento profissional, autoridade em sua área e, consequentemente, ganhos compatíveis com seu real potencial.

Agende uma anamnese e descubra, através de análise rigorosa, quais mecanismos inconscientes estão limitando sua expressão – e como transcendê-los de modo prático e permanente.

EXPERIÊNCIAS ANÔMALAS

Existem fenômenos psíquicos muito comuns, mas extremamente discriminados, que atingem mais de 40% da população mundial. As chamadas “experiências anômalas” são ocorrências em que indivíduos relatam ouvirem vozes, verem cenas que depois acontecem, sentirem-se ou verem-se fora do corpo, terem sonhos hiperrealistas, lúcidos e conscientes, dentre outros.

Muitos acreditam que estes eventos são sinais de esquizofrenia ou outros transtornos somatopsíquicos. Porém, posso assegurar pela minha experiência clínica de 20 anos, atendendo inclusive médicos, juristas e profissionais da saúde mental, pessoas com exímias faculdades cognitivas, que tais experiências podem ser compreendidas através de premissas científicas pelo método clínico conscienciológico.

Esta abordagem, desenvolvida ao longo de duas décadas de prática e consolidada através da ABRACONESP (Academia Brasileira de Conscienciologia, Espiritualidade e Pós-Humanismo), me tornou referência na área e o único profissional nas Américas a atender clinicamente casos de experiências anômalas em pessoas sem qualquer comorbidade mental, ajudando-as a se autoconhecer e, acima de tudo, a viverem em paz com tais ocorrências.

Se você está passando por isso, seja bem-vindo(a). Eu posso ajudar.

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