O Pior Crime de Daniel Vorcaro — e Que a PF Nunca Vai Divulgar

Uma análise clínica - Apolo Augusto

Apolo Augusto

A maioria dos brasileiros dentro e fora do país já sabe do escândalo do Banco Master, usado por seu proprietário Daniel Vorcaro para fraudar o sistema financeiro e causar um prejuízo estimado em mais de 50 bilhões de reais a investidores e contratantes.

Para se ter uma ideia

Com R$ 50 bilhões seria possível realizar, no Brasil atual:

Saúde — Construir aproximadamente 500 hospitais completos de médio porte ou 10 mil UBS, garantindo atendimento básico para mais de 100 milhões de pessoas.

Educação — Construir cerca de 50 mil escolas públicas modernas ou pagar o salário anual de mais de 1 milhão de professores.

Moradia — Pelo custo médio do Minha Casa Minha Vida (~R$ 150 mil por unidade), construir 330 mil casas. Moradia para mais de 1 milhão de brasileiros.

Combate à fome — A um custo de cerca de R$ 600/mês por família, alimentar quase 7 milhões de famílias durante um ano inteiro.

O excelente trabalho da Polícia Federal — diga-se de passagem, a melhor polícia federal da atualidade — conseguiu expor um fato estarrecedor: o esquema do Banco Master possui tentáculos que envolvem políticos e até mesmo juízes da Suprema Corte, o que dificultou enormemente a investigação.

Porém há algo muito pior. Um crime pouquíssimo conhecido, que não apenas Vorcaro cometeu, mas também todos os empresários envolvidos em esquemas de corrupção na história do Brasil. Um crime que afeta diretamente os brasileiros, desde crianças até adultos, que atinge mesmo quem acha que não tem "nada a ver com isso".

A Polícia Federal jamais divulgará tal crime — não porque não queira, mas porque ninguém ainda entendeu isso.

O Mecanismo

Trabalho há 20 anos atendendo casos hipercomplexos envolvendo a psique humana. O crime do qual me refiro é o que chamo de crime semiótico.

Semiótica, de forma direta: é o estudo de como atribuímos sentido às experiências por meio de signos e símbolos. Ela opera em praticamente tudo — e quase ninguém sabe disso conscientemente. A maior parte das suas decisões, reações emocionais e julgamentos sobre pessoas passa por um sistema simbólico que você nunca configurou deliberadamente.

Parte do meu trabalho como conscienciólogo clínico é fazer com que pessoas e corporações entendam e desenvolvam sua própria semiótica — tanto no sentido pessoal, que é único para cada um, quanto na relação dela com a semiótica coletiva — e resolver o que chamo de conflitos semióticos e conflitos semânticos do inconsciente.

É aqui que o caso Vorcaro te afeta de uma forma que você ainda não percebeu.

O Conflito na Sua Psique

Quando você vê uma pessoa muito bem vestida ou com um carro de luxo, seu inconsciente automaticamente atribui a ela a ideia de "sucesso", "riqueza". Você pensa: essa pessoa é bem-sucedida — ela é bem vinda. Ao mesmo tempo, o inconsciente registra aquela imagem como símbolo: "quando penso em sucesso, penso nessa pessoa."

Isso não é bom nem ruim. É um fenômeno psíquico. Você não quer o dinheiro — quer o que o dinheiro representa. E o que ele representa para você, especificamente, é algo que quase ninguém parou para investigar de verdade.

Agora observe o que acontece quando se descobre que aquele empresário bilionário roubou. Mentiu. É corrupto. Foi preso.

Seu sistema semiótico inconsciente entra em conflito. Você quer ter sucesso — mas não quer ser preso. Aquela imagem, aquele símbolo, agora carrega duas referências cruzadas e incompatíveis:

Empresário → sucesso → corrupção → roubo → prisão.

O inconsciente possui um esquema extremamente complexo, mas, em certo sentido, rudimentar: ele não opera com a mesma lógica da parte consciente. Não sabe separar essas camadas. Coloca tudo na mesma caixa. E isso se torna um problema grave — como a fruta podre na cesta de frutas boas.

Hediondo e Invisível

Do ponto de vista da conscienciologia clínica, o crime de Vorcaro — e de todos os grandes empresários envolvidos em esquemas de corrupção — é tão grave quanto os prejuízos financeiros, porém muito pior em termos psíquicos.

Essas pessoas atentaram contra o inconsciente coletivo brasileiro, que já é extremamente fragilizado.

Há um grande movimento que busca constantemente associar o empresário ou a pessoa bem-sucedida (como símbolo) à ideia de “pessoa usurpadora”, alguém que conseguiu tudo “às custas dos outros” ou que até mesmo “tirou de alguém para estar onde está".

Essas ideias corrompem a psique — não apenas a sua, mas a de bilhões de pessoas — porque instalam o seguinte conflito:

Todos querem ser bem-sucedidos / Ser bem-sucedido é errado.

É assim que o inconsciente coletivo absorve. E é ainda pior: toda vez que você vê uma notícia que diz "milionário preso", seu inconsciente processa — sem que você perceba — algo como: eu não quero ser preso, então não quero ser milionário.

Agora imagine isso sendo repetido todos os dias, como está sendo pela mídia, ao longo de mais de 30 anos, desde os primeiros escândalos de corrupção no país.

Espero que este post tenha aberto seus olhos sobre alguns pontos (quase nunca) abordados e compreendidos, mas que tem relação direta com você e tudo o que você faz.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

Semiótica (fundamento teórico)

  1. Peirce, C. S. (1931-1958). Collected Papers of Charles Sanders Peirce. Harvard University Press.
  2. Saussure, F. de (1916). Cours de linguistique générale. Payot.
  3. Eco, U. (1976). A Theory of Semiotics. Indiana University Press.

Inconsciente coletivo e processamento simbólico

  1. Jung, C. G. (1959). The Archetypes and the Collective Unconscious (Collected Works, Vol. 9, Part 1). Princeton University Press.
  2. Kahneman, D. (2011). Thinking, Fast and Slow. Farrar, Straus and Giroux. —

Associações implícitas com riqueza e corrupção

  1. Liu, C.-J., Zhang, Y., & Hao, F. (2017). An Implicit Stereotype of the Rich and Its Relation to Psychological Connectedness. Psychological Reports, 120(1).
  2. Horwitz, S. R., & Dovidio, J. F. (2017). The rich—love them or hate them? Divergent implicit and explicit attitudes toward the wealthy. Group Processes & Intergroup Relations, 20(1).

Efeito cumulativo da mídia na percepção de realidade

  1. Gerbner, G., Gross, L., Morgan, M., & Signorielli, N. (1986). Living with Television: The Dynamics of the Cultivation Process. In Perspectives on Media Effects. Lawrence Erlbaum. 

Mecanismo psicológico da corrupção e dissonância

  1. Abraham, J., Suleeman, J., & Takwin, B. (2018). Psychological Mechanism of Corruption: A Comprehensive Review. Asian Journal of Scientific Research, 11, 587-604. —
  2. Festinger, L. (1957). A Theory of Cognitive Dissonance. Stanford University Press. —

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Apolo Augusto

Conscienciólogo clinico

INCONSCIENTE HUMANO

Para a psicologia e a psicanálise, o ser humano é um ser consciente que possui uma mente inconsciente. Para a conscienciologia clínica, o ser humano é um ser inconsciente que possui uma fraca e debilitada mente consciente. Esta é a premissa básica da conscienciologia clínica, e não é filosófica: é factual. Consideramos que o ser humano não tem consciência de si, de seus desejos, seus medos, seus bloqueios e tampouco de suas capacidades, habilidades e potencialidades.

O conscienciólogo clínico não é um “terapeuta” nem um “coach”. É um profundo investigador e persecutor da consciência. Seu objetivo é fazer com que o solicitante (nome que damos aos atendidos) se torne consciente de si mesmo.

Compreendemos que, apenas por meio da conscientização, o homem se torna realizado, pois deixa de agir de modo automático, instintivo, limitado e cíclico, repetindo padrões cuja origem ele desconhece.

A terapia convencional visa “restaurar” o indivíduo, fazendo-o voltar ao estado normal. O processo conscienciológico clínico, por outro lado, visa desconstruir o indivíduo e fazê-lo transcender sua versão anterior, instaurando em sua psique novos padrões, um novo comportamento, desbloqueando habilidades e potenciais, para que este alcance, de modo prático, a individuação.

PSICOSSOMÁTICA CLÍNICA

Através de minhas formações em ciências humanas, desenvolvi uma abordagem extremamente científica e “pura” da psicossomática, fiel ao trabalho de Groddeck, na qual se faz possível descobrir as possíveis causas inconscientes para questões de saúde mental e física.

Ressalto que é uma técnica própria, totalmente livre de vieses, contaminações semânticas e pseudociência, como as de muitos que se dizem “terapeutas das emoções”.

Meu trabalho visa fazer com que o indivíduo, através de um método investigativo matricial e em camadas, consiga compreender mecanismos inconscientes que estão se manifestando no corpo ou na mente, causando distúrbios, doenças, anomalias ou transtornos.

A principal diferença de meu trabalho no campo da psicossomática é a maneira como o indivíduo percebe tais mecanismos, sem qualquer tipo de inferência de minha parte, como ocorre em pseudoterapias ou abordagens de discípulos de Franz Alexander.

Partimos da premissa de que cada inconsciente é único, possui seus próprios símbolos, arquétipos, sistemas semióticos e estruturas. A causa da enxaqueca de Maria pode ser (e sempre é) diferente da causa da enxaqueca de Joana.

Minha função é aplicar conhecimento do inconsciente que adquiri ao longo de 20 anos para tornar o indivíduo consciente de seus mecanismos causadores de transtornos. Quando há esta conscientização e a reversão do padrão, então o problema se resolve.

DESENVOLVIMENTO PESSOAL

A maioria das pessoas desconhece suas próprias capacidades ou experimenta bloqueios que impedem a expressão de seu potencial real.

Esta limitação se manifesta concretamente: estagnação profissional, ganhos incompatíveis com suas habilidades e uma sensação persistente de que algo impede sua realização.

A única maneira factual de transcender esses limites é através de um processo investigativo que revele os mecanismos inconscientes que governam suas ações. Esses mecanismos contêm tanto recursos inexplorados quanto padrões limitantes que, uma vez conscientizados, podem ser ressignificados.

Quando você compreende como seu inconsciente opera, deixa de agir por automatismos e passa a exercer escolhas deliberadas. Suas decisões se tornam mais assertivas, sua comunicação mais efetiva, sua presença mais autêntica. Isso se reflete em resultados tangíveis: reconhecimento profissional, autoridade em sua área e, consequentemente, ganhos compatíveis com seu real potencial.

Agende uma anamnese e descubra, através de análise rigorosa, quais mecanismos inconscientes estão limitando sua expressão – e como transcendê-los de modo prático e permanente.

EXPERIÊNCIAS ANÔMALAS

Existem fenômenos psíquicos muito comuns, mas extremamente discriminados, que atingem mais de 40% da população mundial. As chamadas “experiências anômalas” são ocorrências em que indivíduos relatam ouvirem vozes, verem cenas que depois acontecem, sentirem-se ou verem-se fora do corpo, terem sonhos hiperrealistas, lúcidos e conscientes, dentre outros.

Muitos acreditam que estes eventos são sinais de esquizofrenia ou outros transtornos somatopsíquicos. Porém, posso assegurar pela minha experiência clínica de 20 anos, atendendo inclusive médicos, juristas e profissionais da saúde mental, pessoas com exímias faculdades cognitivas, que tais experiências podem ser compreendidas através de premissas científicas pelo método clínico conscienciológico.

Esta abordagem, desenvolvida ao longo de duas décadas de prática e consolidada através da ABRACONESP (Academia Brasileira de Conscienciologia, Espiritualidade e Pós-Humanismo), me tornou referência na área e o único profissional nas Américas a atender clinicamente casos de experiências anômalas em pessoas sem qualquer comorbidade mental, ajudando-as a se autoconhecer e, acima de tudo, a viverem em paz com tais ocorrências.

Se você está passando por isso, seja bem-vindo(a). Eu posso ajudar.

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