Caso 0406

R****, empresário de Santa Catarina, tinha 42 anos quando me procurou com uma pergunta que parecia simples: “Devo continuar na sociedade ou sair?”

Ele havia fundado uma gestora de CRM ao lado de um amigo de longa data. O negócio funcionava, os clientes estavam lá, o faturamento girava. Mas algo corroía R**** por dentro: a sensação de que ele carregava a empresa nas costas — sozinho.

Ele prospectava, negociava, implementava, resolvia crises. O sócio? Presente, mas cada vez menos engajado.

A angústia de R**** não era apenas sobre a sociedade. Era mais profunda: “Se eu sair, consigo sobreviver sozinho? Tenho capacidade de tocar algo do zero?”

Essa dúvida não era empresarial. Era existencial.

O OUTRO LADO DA MESA

Fiz algo que costumo fazer quando o caso envolve dinâmicas relacionais profissionais: atendi o sócio também.

Não para julgá-lo, mas para ler o que ele não dizia com palavras.

E ele não disse. Mas a sintaxe das suas frases, as expressões que escolhia, o ritmo da fala — tudo apontava na mesma direção: aos 56 anos, aquele homem já não tinha a mesma combustão. Não estava sabotando o negócio. Estava desacelerando. Naturalmente, silenciosamente.

Ele não verbalizou isso de forma direta — talvez nem para si mesmo. Mas para quem sabe ouvir o que está por trás das palavras, a mensagem era inequívoca.

A questão, então, não era se R**** deveria sair da sociedade. Era por que ele não conseguia.

O PAI QUE NUNCA SAIU DA SALA

Na segunda sessão, a verdadeira raiz apareceu.

R**** havia sido criado por um pai superprotetor — um homem que, por amor ou por controle, sempre tomava a frente de tudo. Cada decisão importante da vida de R**** passava pelo crivo paterno. A intenção era proteger. O efeito foi paralisar.

O pai morreu quando R**** já era adulto, casado e com a esposa grávida do primeiro filho. De um dia para o outro, o homem que sempre decidiu por ele simplesmente não estava mais lá.

R**** sobreviveu. Estabilizou-se. Construiu uma vida. Mas o mecanismo inconsciente permaneceu intacto: ele precisava de alguém no papel de decisor, de âncora, de referência. E sem perceber, colocou o sócio exatamente nessa posição.

O sócio não era apenas um parceiro de negócios. Era a reprodução inconsciente da figura paterna.

E assim como fazia com o pai, R**** trabalhava exaustivamente para agradar, para provar seu valor, para ser reconhecido. O retorno? Nulo. Não porque o sócio fosse ingrato, mas porque ele jamais ocupou — nem poderia ocupar — o lugar que R**** inconscientemente lhe atribuiu.

A pergunta “devo sair da sociedade?” escondia outra, muito mais profunda: “Eu consigo existir sem alguém que decida por mim?”

A TRANSIÇÃO

Este caso exigiu uma abordagem híbrida — o que faço quando o bloqueio tem raiz inconsciente, mas a solução precisa ser estratégica e prática.

Primeiro, o trabalho clínico: através das técnicas de reversão de padrões comportamentais da conscienciologia clínica, desmontamos a estrutura de dependência que R**** havia construído ao longo da vida. Ele precisava se ver — talvez pela primeira vez — como alguém capaz de liderar sem a validação de uma figura de autoridade.

Depois, a mentoria estratégica: com a autoconfiança reconstruída, partimos para o plano concreto. R**** tinha dúvidas sobre se começar algo novo ou batalhar para manter o que já existia. A resposta surgiu quando mapeamos algo que ele não enxergava: sua própria rede de contatos era um ativo valiosíssimo.

Identificamos uma conexão na sua rede que precisava exatamente do perfil dele — alguém com profundo conhecimento de gestão de relacionamento com clientes e experiência no setor de saúde. Era uma oportunidade no segmento de facilitação de pagamentos.

E aqui veio o insight estratégico decisivo: R**** poderia usar a mesma base de clientes que já atendia na gestora de CRM — clínicas médicas, odontológicas, fisioterapêuticas, estéticas — para ofertar uma solução personalizada de pagamentos. Ele já conhecia as dores daqueles clientes. Já tinha a confiança deles. O novo negócio não partia do zero: partia de uma fundação que ele mesmo havia construído, mas não reconhecia como sua.

Porque até aquele momento, R**** atribuía tudo ao “negócio da sociedade” — e não a si mesmo.

O RESULTADO

Foram 5 sessões.

R**** encerrou a sociedade de forma limpa e respeitosa. Iniciou o novo empreendimento com uma clareza que nunca havia experimentado. E algo notável aconteceu: as pessoas ao seu redor começaram a investir nele. Não apenas financeiramente — investiram confiança, parcerias, indicações.

Porque quando alguém finalmente reconhece suas próprias qualidades e potenciais, isso se torna visível. Palpável. Contagiante.

O capital de giro veio. O crescimento veio. Hoje, R**** é dono de uma franquia no setor de facilitação de pagamentos que fatura 7 dígitos por ano, construída sobre uma base de clientes que ele mesmo cultivou ao longo de anos — e que quase deixou para trás por não acreditar que aquilo era mérito dele.

Ele não apenas saiu de uma sociedade. Ele saiu da sombra de um pai que já não existia — mas que ainda governava cada decisão da sua vida.

Nota técnica:

A reprodução de dinâmicas parentais em relações profissionais é um fenômeno amplamente documentado na literatura clínica. Indivíduos criados sob superproteção frequentemente desenvolvem um padrão de dependência decisória que se transfere para figuras de autoridade na vida adulta — chefes, sócios, mentores — sem qualquer consciência dessa transferência.

O caso de R**** ilustra uma interseção comum na prática clínica: bloqueios que parecem ser exclusivamente estratégicos ou empresariais, mas que possuem raízes em padrões inconscientes formados na infância. Abordagens puramente racionais — como coaching de negócios ou consultoria empresarial — tendem a falhar nesses casos porque tratam o sintoma (indecisão, estagnação, autossabotagem profissional) sem acessar a causa (a estrutura de dependência emocional que sustenta o comportamento).

A conscienciologia clínica, combinada à mentoria estratégica, permite trabalhar simultaneamente nas duas camadas: a reestruturação do padrão inconsciente e a construção de um plano de ação concreto. O resultado não é apenas uma “decisão tomada”, mas uma transformação na forma como o indivíduo se posiciona diante de suas próprias escolhas.

Apolo Augusto

Conscienciólogo clinico

INCONSCIENTE HUMANO

Para a psicologia e a psicanálise, o ser humano é um ser consciente que possui uma mente inconsciente. Para a conscienciologia clínica, o ser humano é um ser inconsciente que possui uma fraca e debilitada mente consciente. Esta é a premissa básica da conscienciologia clínica, e não é filosófica: é factual. Consideramos que o ser humano não tem consciência de si, de seus desejos, seus medos, seus bloqueios e tampouco de suas capacidades, habilidades e potencialidades.

O conscienciólogo clínico não é um “terapeuta” nem um “coach”. É um profundo investigador e persecutor da consciência. Seu objetivo é fazer com que o solicitante (nome que damos aos atendidos) se torne consciente de si mesmo.

Compreendemos que, apenas por meio da conscientização, o homem se torna realizado, pois deixa de agir de modo automático, instintivo, limitado e cíclico, repetindo padrões cuja origem ele desconhece.

A terapia convencional visa “restaurar” o indivíduo, fazendo-o voltar ao estado normal. O processo conscienciológico clínico, por outro lado, visa desconstruir o indivíduo e fazê-lo transcender sua versão anterior, instaurando em sua psique novos padrões, um novo comportamento, desbloqueando habilidades e potenciais, para que este alcance, de modo prático, a individuação.

PSICOSSOMÁTICA CLÍNICA

Através de minhas formações em ciências humanas, desenvolvi uma abordagem extremamente científica e “pura” da psicossomática, fiel ao trabalho de Groddeck, na qual se faz possível descobrir as possíveis causas inconscientes para questões de saúde mental e física.

Ressalto que é uma técnica própria, totalmente livre de vieses, contaminações semânticas e pseudociência, como as de muitos que se dizem “terapeutas das emoções”.

Meu trabalho visa fazer com que o indivíduo, através de um método investigativo matricial e em camadas, consiga compreender mecanismos inconscientes que estão se manifestando no corpo ou na mente, causando distúrbios, doenças, anomalias ou transtornos.

A principal diferença de meu trabalho no campo da psicossomática é a maneira como o indivíduo percebe tais mecanismos, sem qualquer tipo de inferência de minha parte, como ocorre em pseudoterapias ou abordagens de discípulos de Franz Alexander.

Partimos da premissa de que cada inconsciente é único, possui seus próprios símbolos, arquétipos, sistemas semióticos e estruturas. A causa da enxaqueca de Maria pode ser (e sempre é) diferente da causa da enxaqueca de Joana.

Minha função é aplicar conhecimento do inconsciente que adquiri ao longo de 20 anos para tornar o indivíduo consciente de seus mecanismos causadores de transtornos. Quando há esta conscientização e a reversão do padrão, então o problema se resolve.

DESENVOLVIMENTO PESSOAL

A maioria das pessoas desconhece suas próprias capacidades ou experimenta bloqueios que impedem a expressão de seu potencial real.

Esta limitação se manifesta concretamente: estagnação profissional, ganhos incompatíveis com suas habilidades e uma sensação persistente de que algo impede sua realização.

A única maneira factual de transcender esses limites é através de um processo investigativo que revele os mecanismos inconscientes que governam suas ações. Esses mecanismos contêm tanto recursos inexplorados quanto padrões limitantes que, uma vez conscientizados, podem ser ressignificados.

Quando você compreende como seu inconsciente opera, deixa de agir por automatismos e passa a exercer escolhas deliberadas. Suas decisões se tornam mais assertivas, sua comunicação mais efetiva, sua presença mais autêntica. Isso se reflete em resultados tangíveis: reconhecimento profissional, autoridade em sua área e, consequentemente, ganhos compatíveis com seu real potencial.

Agende uma anamnese e descubra, através de análise rigorosa, quais mecanismos inconscientes estão limitando sua expressão – e como transcendê-los de modo prático e permanente.

EXPERIÊNCIAS ANÔMALAS

Existem fenômenos psíquicos muito comuns, mas extremamente discriminados, que atingem mais de 40% da população mundial. As chamadas “experiências anômalas” são ocorrências em que indivíduos relatam ouvirem vozes, verem cenas que depois acontecem, sentirem-se ou verem-se fora do corpo, terem sonhos hiperrealistas, lúcidos e conscientes, dentre outros.

Muitos acreditam que estes eventos são sinais de esquizofrenia ou outros transtornos somatopsíquicos. Porém, posso assegurar pela minha experiência clínica de 20 anos, atendendo inclusive médicos, juristas e profissionais da saúde mental, pessoas com exímias faculdades cognitivas, que tais experiências podem ser compreendidas através de premissas científicas pelo método clínico conscienciológico.

Esta abordagem, desenvolvida ao longo de duas décadas de prática e consolidada através da ABRACONESP (Academia Brasileira de Conscienciologia, Espiritualidade e Pós-Humanismo), me tornou referência na área e o único profissional nas Américas a atender clinicamente casos de experiências anômalas em pessoas sem qualquer comorbidade mental, ajudando-as a se autoconhecer e, acima de tudo, a viverem em paz com tais ocorrências.

Se você está passando por isso, seja bem-vindo(a). Eu posso ajudar.

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