O caso 0135
Março de 2017
R****, gestora de uma grande empresa de logística no Triângulo Mineiro, comandava operações complexas com a precisão de quem nasceu para liderar. Decisões rápidas, negociações difíceis, um time de mais de 40 pessoas e 17 caminhões — tudo isso fazia parte da sua rotina diária.
Mas havia algo com o qual ela não estava conseguindo lidar: uma tristeza profunda, sem causa aparente, que começou a dominá-la em momentos aleatórios.
Não eram apenas dias ruins. Era uma dor visceral que surgia do nada, tomava conta do seu peito e lhe dava fortes crises de chôro.
Ela tentou de tudo. Psicólogos, psiquiatras, até mesmo um centro espírita. Nada funcionava. A tristeza voltava, implacável. Seus colegas de trabalho e seu marido começaram a ficar preocupados, a situação era muito séria.
Por uma feliz coincidência do destino, um proprietário de uma distribuidora que conhecia meu trabalho, indicou a clínica ao falar como esposo de R***** e saber da situação.
No dia e hora agendados, ela se apresenta para a anamnese com duas perguntas muito específicas: “Por que eu sinto isso se minha vida está exatamente onde eu sempre quis que estivesse?” “Por que isso vem do nada, se eu estou me alimentando bem, indo à academia, sem nenhum problema que justifique ficar tão triste?”
A investigação.
Após a anamnese, que descartou causas óbvias como luto recente, trauma ou desequilíbrio hormonal, agendamos o início do processo conscienciológico clínico para investigar a origem dessa tristeza sem nome.
O que descobrimos logo na primeira sessão foi perturbador: R**** estava carregando uma dor que não era dela.
A tristeza não vinha de nenhum evento da sua própria vida. Vinha de algo muito mais profundo, algo que existia no campo informacional da sua família — um segredo guardado à sete chaves, mas que agora estava sussurrando em seu ouvido palavras silenciosas e tristes.
O inconsciente é tão complexo e misterioso, que mesmo após meus 20 anos de clínica, nunca deixo de aprender algo sobre nossas capacidades desconhecidas.
R**** acreditava que sua tristeza era algum tipo de depressão sem causa, talvez uma “falha química” no cérebro. Seria fácil para qualquer psiquiatra medicar e tratar como transtorno de humor. Seria fácil para qualquer terapeuta espiritual atribuir a “espíritos obsessores” ou “energias negativas”.
Mas a análise clínica profunda do seu inconsciente evidenciou algo completamente diferente: ela estava acessando informações de uma consciência que nunca chegou a nascer — uma consciência que deveria ter sido sua irmã.
Como alguém pode carregar a dor de uma pessoa que nunca existiu?
O segredo enterrado.
Durante a terceira sessão, através do processo de mapeamento transgeracional, sem nenhum viés, sem nenhuma sugestão de minha parte, apenas com o método puro, correto, R**** acessou uma informação que estava registrada em seu campo inconsciente familiar: sua mãe havia feito um aborto anos antes do seu nascimento.
Os dois fatos mais interessantes: 1 – A mulher nunca havia contado a ninguém. Nem ao marido. Nem a R****. Era um segredo enterrado tão fundo que a própria mãe juraria que nunca tivesse acontecido, se não fosse confrontada de modo tão direto e inequívoco. 2 – A idade em que esta havia realizado o aborto, era a mesma idade em que R**** começou a sentir a tristeza profunda e inexplicável.
R**** não “imaginou” durante a sessão. Ela VIU. Ela SABIA que aquilo tinha acontecido, pois a informação daquela consciência interrompida continuava ali, como um fantasma silencioso no sistema familiar, manifestando-se como uma tristeza sem rosto na filha que veio depois.
R**** confrontou a mãe. A conversa foi devastadora. A mulher desmoronou em prantos, confirmando o que o processo clínico havia revelado. Ela carregava essa culpa há décadas, sozinha, em silêncio. Mas aquele dia era o da redenção. O do perdão. O da verdade da consciência.
A redenção.
Foram 2 sessões após essa descoberta.
Realizei um processo que desenvolvi ao longo de anos — algo que vai além de qualquer abordagem terapêutica convencional: a reintegração de consciências interrompidas no sistema familiar.
Isso não é misticismo. Repudio toda e qualquer forma de falácias.
É o reconhecimento de que informações de consciências humanas — mesmo aquelas que não chegaram a se desenvolver completamente — perduram de alguma forma e interferem com a atividade psíquica de pessoas que possuem relação com elas.
R**** não precisou “perdoar” a mãe. Não precisou “fazer as pazes” com algo que nunca conheceu. O que ela precisou foi reconhecer a existência dessa consciência, resgatá-la de seu sofrimento psíquico e, de certa forma, espiritual e integrá-la conscientemente ao seu sistema familiar, da maneira correta.
O resultado foi imediato.
Eu não tratei sua tristeza. Eu restaurei a ordem no campo informacional da sua família.
A tristeza desapareceu. Não gradualmente — desapareceu. Como se um peso invisível que ela carregava há anos tivesse sido finalmente retirado.
Em seu acompanhamento anual, R**** nunca mais apresentou qualquer episódio do gênero. Mas algo ainda mais profundo mudou: ela começou a ver a vida psíquica e sua complexidade com outros olhos.
Não com viés místico, não com superstição — mas com a compreensão de que a vida é muito mais do que pensamos, e que a consciência humana opera em camadas que a ciência convencional ainda está começando a compreender.