Saúde em alerta — O problema do sono que destrói mulheres

SAÚDE EM ALERTA O PROBLEMA DO SONO QUE DESTRÓI MULHERES

A crise invisível: por que as mulheres sofrem mais com a insônia

Se você acha que insônia é apenas “dificuldade para dormir”, está subestimando um problema que atinge 72% dos brasileiros, segundo dados da Fiocruz — e que afeta as mulheres de forma desproporcional.

Estudos mostram que mulheres têm 40% mais chances de desenvolver insônia do que homens. Essa diferença começa na puberdade e se intensifica ao longo da vida. Nas mulheres acima de 50 anos, a prevalência de má qualidade do sono chega a 18,6%, contra 11,4% nos homens. Em alguns grupos, esse índice ultrapassa 79%.

Por quê? A resposta está na soma de dois fatores: biologia e sobrecarga.

As flutuações hormonais — menstruação, gestação, menopausa — alteram diretamente os padrões do sono. Mas há outro fator igualmente poderoso: a mulher moderna acumula papéis. Mãe, profissional, esposa, cuidadora. O momento que deveria ser de descanso se transforma em uma lista mental interminável. O corpo deita, a mente não.

O resultado: mais de 36% das mulheres no Brasil relatam sintomas de insônia regularmente.

O que é realmente a insônia — e quando ela se torna perigosa

A insônia crônica não é fraqueza nem frescura. É um transtorno do sono reconhecido pela Classificação Internacional de Distúrbios do Sono, caracterizado por dificuldade para iniciar ou manter o sono, despertar precoce e não restaurador, com frequência mínima de três vezes por semana por pelo menos três meses.

Quando esse ciclo se instala, os efeitos vão muito além do cansaço: déficit de atenção, memória comprometida, irritabilidade crônica, decisões prejudicadas, sistema imunológico enfraquecido e risco aumentado de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.

No limite, a privação crônica de sono está associada a maior risco geral de morte. Não é metáfora.

E os medicamentos? Durante a pandemia, as vendas de remédios para dormir cresceram mais de 500% no Brasil. O que poucos sabem é que benzodiazepínicos e hipnóticos criam dependência, exigem doses progressivamente maiores e, ao serem interrompidos abruptamente, podem causar síndrome de abstinência severa. Estudos recentes ainda sugerem associação entre uso prolongado e maior risco de demência.

O que a medicina convencional raramente investiga

Um dos maiores desafios no tratamento da insônia é identificar sua verdadeira causa. Exames não mostram tudo. Diagnósticos de “estresse” são frequentes — e frequentemente insuficientes.

O que poucos profissionais investigam é que, em muitos casos, a insônia tem uma origem que não aparece em nenhum exame e que permanece ativa mesmo depois de anos de tratamento convencional. Na maioria dessas situações, a origem é psicossomática — e sem acessá-la, qualquer intervenção trata apenas o sintoma.

O caso de uma empresária de São Paulo que conseguiu se libertar desse transtorno ajuda a compreender melhor isso. Leia o caso clínico completo.

Fontes: Fiocruz, Organização Mundial da Saúde, Associação Brasileira do Sono (ABS), ELSI-Brasil, Classificação Internacional de Distúrbios do Sono (ICSD).

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